Partnership: o engajamento entre os sócios e os colaboradores
Em tradução literal para “parceria”, partnership é um programa baseado no progresso do colaborador que, por meritocracia, pode se tornar sócio da empresa em que trabalha, além de ser uma forma de romper com sistemas engessados de gerência.
No âmbito organizacional é comum encontrar empresas que seguem modelos de gestão empresarial mais tradicionais, com estrutura piramidal, onde os sócios proprietários concentram a administração do negócio na parte superior, estendendo-a até a gerência e, por fim, ao nível operacional.
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Seja por imposição do mercado em que atuam ou por puro conservadorismo dos gestores, empresas que seguem esse modelo estrutural, não raro, causam o desinteresse do colaborador, desafiando o gestor que, dia e noite, busca formas de melhorar o resultado da empresa.
Basicamente, o partnership é um modelo de gestão que, atrelado ao nível de engajamento e resultados trazidos para a organização, permite ao colaborador de alta performance receber o direito de comprar quotas/ações da empresa, tornando-se novo integrante do quadro societário.
Objetivos e efeitos da partnership
Um dos grandes desafios para as organizações é estruturar a empresa em uma forma na qual todos os colaboradores concordem em trabalhar juntos para alcançar um propósito comum, compartilhar riscos e responsabilidades, ônus e bônus, riscos e benefícios.
O objetivo da estratégia é estabelecer uma ideia de engajamento entre os sócios e os colaboradores, fazendo com que todos entendam que a relação voluntária e colaborativa é a alavanca para o alcance dos objetivos de forma sustentável.
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A ideia é que o colaborador empregue esforço na atividade empresarial, fazendo com que ele busque envolvimento no negócio em troca de sua participação financeira. A organização precisa motivar uma mudança no pensamento do funcionário para que ele veja um propósito de empreender em prol da empresa.
O partnership na prática
A implementação de um programa partnership deve estar alinhada às características específicas da empresa, observando:
- Segmento no qual ela atua;
- O modelo de negócio adotado;
- O porte da empresa;
- O quadro societário;
- O número de colaboradores existentes na organização.
Sob esta perspectiva, a forma de ingresso de um colaborador no quadro societário, a remuneração, o percentual de quotas ou ações que será disponibilizado, a extensão do programa, a natureza do negócio e os aspectos contábeis e tributários são fatores fundamentais para definir um modelo de Partnership equilibrado e maduro.
Para efeitos práticos, o partnership deverá elaborar diretrizes e regras para cada procedimento que impacte na gestão da organização, a exemplo dos seguintes aspectos:
- Ingresso de um colaborador no quadro societário: pode ser primária (cash in), modalidade em que a empresa disponibiliza novas cotas (sociedade limitada) ou ações (sociedade anônima), e o novo sócio as adquire, aumentando, assim, o capital social; ou secundária (cash out), modalidade em que os próprios sócios disponibilizam as cotas ou ações aos colaboradores, sem aumento de capital
- Controle da sociedade: pode ser estruturado em bloco de controle, em que serão considerados aqueles participantes do capital social da empresa (sócios e fundadores), detendo percentuais maiores da sociedade e, por consequência, terão controle sobre as decisões; e um bloco de cotas ou ações, destinado aos participantes do programa, representando pequena parcela do capital social (quotas ou ações equivalentes a 1%, 0,5%, do capital social).
- Forma de remuneração: deve estar atrelado às expectativas da empresa, bem como às expectativas dos colaboradores. O pró-labore será a remuneração destinada ao sócio que exerce determinada a função e a distribuição de lucros considerará os resultados obtidos pela empresa dentro de um período estipulado previamente, sendo distribuídos proporcionalmente à participação (nº de quotas / ações) do colaborador na sociedade.
Há muitos outros fatores a se considerar na elaboração de um modelo de programa de partnership, sendo importante considerar que um empreendimento baseado nos interesses do colaborador e da empresa garante um alinhamento mais convicto dos objetivos. A cultura corporativa deve ser atrativa para o colaborador, cuja melhoria de seu desempenho reflete em ganhos mútuos.
O empresário que avalia não somente os atributos comerciais da sua empresa, mas também institui uma inteligência colaborativa, gera um raciocínio de mútua cooperação e mantém sempre altos os níveis de motivação dos seus colaboradores. Quando atrelado a mecanismos jurídicos adequados, uma gestão baseada no sistema partnership traciona exponencialmente o êxito empresarial.